sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Casa de Pobre

Saiba que quando a pobreza é muita, até a casa acompanha.

Minha casa, por exemplo, não tem tomadas nos banheiros e toaletes, ou seja, não é possível usar secador nem aparelho de barbear (se este não tiver bateria própria). Mas também, por que pobre precisa disso? Usa toalha e lâmina de barbear, não é mesmo?

Outro detalhe é a escada que liga a sala aos quartos: ela tem uma curva que impede a passagem de objetos um pouco maiores.

Em 2002, dei de presente para minha mãe uma cama box. O colchão, com muito esforço subiu, mas a base, nem com "reza braba". Ou seja, mãe de pobre não tem nem direito a ter uma cama boa de verdade. Para isso eu teria que comprar outra casa!!! A base foi para um outro quarto, que fica do lado de fora da casa, de onde nunca mais saiu.

E hoje, finalmente, chegou o guarda-roupa que minhas irmãs e eu compramos de presente para minha mãe, do jeito que ela queria: grande e com portas de correr. Foi presente surpresa, e acho que ela gostou bastante!

Mas descobri que cada porta, que foi tão desejada, é grande demais para nossa escada em curva!
Já estava ficando triste, imaginando que este guarda-roupa passaria a ser uma estante da sala...

Enfim, agora vi que tem uns parafusos nas portas, então vou desmontá-las, levar em partes para cima, e remontar.

Talvez o montador que vem na próxima semana até fizesse isso, mas não sem cobrar, haja visto que o último que apareceu por aqui se recusou a ajudar a carregar uma peça de um cômodo para o outro já que "não era seu serviço".

E pobre que é pobre, não pode ficar pagando pelo que pode fazer sozinho e de graça, não é mesmo?

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Mera Semelhança

Murilo Endres . . . . . . . . . . . . . . Jeffrey Jones








M. Phelps . . . . Rodrigo López . Marcelo Adnet

domingo, 3 de agosto de 2008

Produtos para Pobres

Livros que te ensinam a viver

Outro dia estava passando por uma livraria com meu filho e me deparo com o seguinte título:
"O que Toda Mulher Inteligente Deve Saber".
Caramba, que tipo de mulher compra este livro? Somente as burras. Afinal, se ela for inteligente já "deve saber" o que o livro vai dizer.

E existem aqueles que falam sobre relacionamentos:
"Casais Inteligentes Enriquecem Juntos"
(Muitos não-inteligentes enriqueceram seu autor e sua esposa);
"Por que os Homens Fazem Sexo e as Mulheres Fazem Amor?"
(Hã? E daí???);
"Homens Gostam de Mulheres Que Gostam de Si Mesmas"
(Ah, não brinca!!!);
"Por que os Homens se Casam com as Manipuladoras"
(E quem compra este? O homem que não quer casar ou a mulher encalhada???)
E tem o clássico "Homens São de Marte, Mulheres São de Vênus".
A melhor resposta para este foi a peça da Mônica Martelli:
"Homens São de Marte... e É pra Lá que Eu Vou"
(Infelizmente, não assisti.)

E estes aqui: "Seja Líder de Si Mesmo", "Você é o Líder da Sua Vida". Se não me contassem, nunca pensaria nisso!!! Incrível!

Acho teria sido melhor se, na infância, todos tivessem tido a oportunidade de ler "Chapeuzinho Amarelo", escrito por Chico Buarque. Sim, um livro para crianças, sem dúvida! Mas que discute profundamente nossos medos e inseguranças.
Para quem não conhece, vale a pena! E as ilustrações deste são melhores do que daqueles livros de auto-ajuda, e tem até uma versão feita pelo Ziraldo.

Boa leitura!!!

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Assento reservado...para quem?

Como paulistana pobre que sou, estou sempre utilizando o transporte público.
E andar de metrô é uma dessas experiências que me leva a refletir sobre aqueles que me cercam.

Quando entramos na estação, na escada rolante tem um aviso: "Deixe a esquerda livre para circulação". Ao ver como as pessoas se distribuem, vem a prova de que a maioria delas tem algum destes problemas:
1) não sabem ler;
2) não sabem qual é a esquerda;
3) são estúpidas.

Na plataforma, existe uma faixa amarela no chão.
Aviso sonoro: "não ultrapasse a faixa amarela antes do trem abrir as portas". Novamente o comportamento das pessoas prova que das três, uma:
1) são surdas;
2) são daltônicas;
3) são estúpidas.

Vamos falar um pouco dos bancos cinzas.
Logo acima deles, existe uma placa informando:
"Assento reservado para uso de gestantes, pessoas portando crianças de colo, idosos e deficientes físicos. Ausentes pessoas nestas condições o uso é livre".
Mas o fato de eu sempre ver pessoas que não se enquadram nos casos indicados sentadas, enquanto os que teriam direito ficam de pé, prova que dessas pessoas sentadas podemos concluir que:
1) não sabem ler nem interpretar desenhos;
2) são deficientes de caráter; (valeu, Mushi!)
3) não sabem o que significa "reservado" e "ausentes";
4) são estúpidas.

Por isso que Albert Einstein disse:
"Só existem duas coisas infinitas:
O universo e a estupidez humana.
E não estou muito seguro da primeira."

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"Por que você não gosta de morango???"

Percebi que pobre não tem nem direito de não gostar das coisas...pelo menos não sem uma boa justificativa.

Eu, por exemplo, não gosto de morango e goiaba, entre muitas outras coisas. E acho que é um direito meu, afinal, gosto é que nem nariz, cada um tem o seu. Ou, como dizia um amigo meu: "Gosto não se discute, se lamenta!". Incompreensível é a indignação de certas pessoas quando percebem que você não curte algo que eles gostam.

"Nossa, mas morango é tão gostoooooso!!! Todo mundo adora." / "Goiabada é uma delícia! Por que você não gosta?"
Ok, ok, respeito sua opinião. Mas por que eu tenho que me justificar???
Pior que eu me justifico...
"Ah, é que eu acho morango azedo, só isso...", pensando que isso fechará o assunto.
Mas logo vem: "Ah, mas é o azedinho que é bom! Já experimentou com creme de leite?"

Aaaaaaiiiii, não, nunca experimentei, aliás, nem sei o que é morango, muito menos creme de leite!!! Melhor assim???

E quando digo que não gosto de balada, de sair à noite?
Aí começa um martírio.
"Então você nunca saiu com uma turma legal."
"Não pode ser assim, você parece velha."
"Você não sabe o que está perdendo..."
O problema não era a turma, nem o local...simplesmente...não gosto.

Parecem aquelas Testemunhas de Jeová que aparecem no meu portão no sábado às 7h da manhã:
"Obrigada, mas eu sou de outra religião!"
"Mas você PRECISA ouvir a palavra de Jesus!!!
Como você pode negar Jesus em sua vida?"
"............."

Onde será que foi parar o respeito à opinião alheia???
Provavelmente se perdeu nesta selva de convenções, modismos e preconceitos.

Eu quero ter o direito de comer a feijoada e não pegar a couve refogada, de recusar o cheese cake, de gostar de viajar com meus pais, de não beber uísque, de adorar ficar em casa no sábado à noite, de preferir água ao refrigerante e muito mais, sem ter que me justificar!!!

Só isso...

sábado, 3 de maio de 2008

Romance Paulistano

(Essa é para quem ainda não conhece este lindo poema!!!)

O momento que estamos juntos é interminável.
Nossos corpos estão tão unidos...
Que posso sentir-lhe as batidas do coração!
Sua respiração se confunde com a minha...

Nossos movimentos são sincronizados...
Indo e voltando...
Para frente e para trás...
Às vezes pára...

Como que querendo nos colocar à prova.

Quando nos cansamos da mesma posição...
Nos esforçamos para mudar.
Mesmo que seja só um pouco...
O suor de nossos corpos começa a fluir...
Sem nada que possamos fazer.

Um calor enorme parece que nos fará desmaiar...
Estamos próximos do clímax!
Uma força ainda maior nos faz ficar ainda mais colados um ao outro...
Agora sinto todo seu corpo.

E quando não agüentamos mais segurar...
Uma voz ecoa em nossos ouvidos:

"Estação Sé, desembarque pelo lado esquerdo do trem!"

Fonte: http://bacaninha.uol.com.br/

quinta-feira, 1 de maio de 2008

4 perguntas = 2 respostas

É incrível a capacidade que certas pessoas têm para responderem a apenas uma parte das minhas perguntas via email.
Normalmente, o índice fica em 50%, ou seja, faço 4 perguntas e só recebo 2 respostas.
É como se metade das perguntas simplesmente "evaporassem". Será que confundem com a assinatura da mensagem??? Vou dar um exemplo (atenção, é apenas um exemplo!):

"Fulano, bom dia!


Solicito informações a respeito do evento:
1) Qual a data?
2) Qual o custo de participação?
3) Quantas pessoas de nossa empresa poderão participar?
4) Podemos fazer alguma ação de marketing?
Atenciosamente,
C. O. "


Resposta:
"Cristina, bom dia!

O evento será no dia 31 de fevereiro. O custo do evento é de US$1000,00.
Atenciosamente,
Fulano."


Helloooooo! Eram 4 perguntas, portanto eu esperava por 4 respostas!!!
Será muito otimismo meu fazer uma pergunta e esperar por uma resposta para a mesma?

Cheguei à conclusão que vou desenvolver a seguinte estratégia: primeiro farei as perguntas cujas respostas necessito, logo em seguida, colocarei outras perguntas, sendo que estas serão para aqueles 50% que ficam no "limbo" da mente do leitor do email! Então será assim:

"S
olicito informações a respeito do evento:
1) Qual a data?
2) Qual o custo de participação?
3) Quantas pessoas de nossa empresa poderão participar?
4) Podemos fazer alguma ação de marketing?
5) Com quantos paus se faz uma canoa?
6) Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?
7) Quem você prefere: Maradona ou Biro-Biro?
8) Quem desmafaguizar os 7 mafagafinhos bom desmafaguizador será?"

Pronto!!! Assim terei minhas tão aguardadas respostas, e talvez até receberei como bônus algumas respostas para alguns dos grandes enigmas da Humanidade!

"Quer que eu segure sua bolsa?"

Muitas vezes eu me deparo com pessoas sentadas nos bancos do ônibus sem nada nas mãos, enquanto ao seu lado outras ficam de pé, tentando se equilibrar com suas bolsas, mochilas e sacolas, aproveitando cada parada do veículo para se recompor. Mas os movimentos devem ser rápidos e precisos, pois se o motorista engatar a primeira da forma "suave", como normalmente fazem, e você não estiver bem seguro, o risco de acabar sentado em cima de alguém é grande!

Mas, voltando, por que muitas destas pessoas que estão sentadas não se oferecem para segurar os pertences daqueles que estão de pé, minimizando o desconforto geral dentro do ônibus??? Será vergonha, ignorância, nojo, ou simples maldade? Realmente, falta sensibilidade a estas pessoas...

Entretanto, esta questão também tem um outro lado: sei que não é algo educado uma pessoa estar sentada e não se oferecer para ajudar quem está de pé, mas isso não diminui a grosseria daqueles que, estando de pé, insistem em jogar suas sacolas na cabeça dos que estão sentados. "É para eles se tocarem!!!". Minha nossa! Será que percebendo uma situação destas, não seria mais gentil perguntar: "Bom dia! Se não for incômodo, será que o senhor poderia me ajudar segurando minha bolsa?".

Ok, ok, sei que não é fácil pedir algo assim. Mas se alguém tem coragem de meter a sacola na cabeça de outro cidadão, não teria a mesma coragem para pedir ajuda?

Essas pessoas...

Por que um blog sobre a Minha Vida de Pobre?

Diariamente, passamos pelas mais diversas situações em casa, no trabalho, no transporte público, na escola, entre outros.

Cada um destes acontecimentos pode nos levar a refletir sobre a sociedade e sobre as pessoas, ou apenas render boas risadas.

Sei que é muita pretensão minha achar que algum ser racional gastaria algum tempo para ler o que uma reles paulistana tem a contar. Mas, levando em conta a quantidade de irracionais que encontro diariamente, acho que terei um bom público!